A utilização da expressão “ensino a distância” ou “ensino à distância” tem despertado várias discussões. No sítio ciberduvidas é apresentada como a forma mais correcta, quando nos referimos a aprendizagem não presencial, “ensino a distância”. Isto porque, como podemos verificar aqui, a expressão pretende caracterizar o tipo de trabalho que é realizado. Assim como por exemplo “ensino por correspondência” e não “ensino pela correspondência”. A utilização da contracção da preposição “a” com o artigo definido “a”, segundo o mesmo sítio, deverá ocorrer quando nos referimos a uma distância específica, o que implica a presença da preposição “de”. Como exemplo é referido: «A casa de meus avós ficava à distância de cem metros» ou «…ensino à distância de um clique». Segundo Trindade (1990) (citado por Pinheiro (2005: 22)) “(…) deve utilizar-se a preposição não contraída (a distância e não à distância), na medida em que nos referimos a uma distância qualquer e não a certa particular distância (do mesmo modo que: salto em altura; fato por medida; descarga de profundidade).”

Contudo, se fizermos uma pesquisa através do motor de busca Google em “ensino a distância”, emerge a dúvida, já que a existência das duas expressões é uma constante nos links que nos são indicados.

A justificação encontrada para a utilização de “à” ao invés de “a” é-nos apresentada neste sítio, no sentido de clarificar a expressão “ensino a distância” e não permitir ambiguidades. A utilização de “ensino a distância” poderá dificultar o entendimento do verdadeiro sentido da expressão. Senão vejamos, será que nos estamos a referir a ensino não presencial ou estamos a dizer que vamos ensinar o conceito “distância”.

No que concerne ao tema, pretendo que qualquer ideia a transmitir seja clara e objectiva, e que não apresente dificuldades de interpretação. Assim, após a justificação da aplicação dos termos, utilizarei a expressão “ensino à distância”.

 

Referências:

www.ciberduvidas.pt

Pinheiro, A.C.D. (2005). A aprendizagem em rede em Portugal. Um estudo sobre a utilização de Sistemas de Gestão de Aprendizagem na Internet em instituições de Ensino Superior. Braga: Universidade do Minho

Commentary

  1. Davide wrote on 16. Apr 2007

    Ricardo, obrigado pela clarificação. Respeito obviamente a opinião dos “magos” das línguas (ciberdúvidas p.e.), mas determinados preciosismos de linguagem atrapalham bastante a comunicação. Pessoalmente partilho a tua opinião, até porque creio ser mais fácil ensinar à distância do que ensinar a Distância (a não ser que já exista este nome próprio na lista de nomes próprios portugueses).

  2. kelsonaraujo wrote on 01. May 2007

    Só para repetir o que eu já havia dito no primeiro anúncio colocado pelo Ricardo sobre e para conveniência de quem mais ler este, realmente, escrever EaD ou EàD é mais um assunto polémico sobre o qual se debruçam os académicos e os utilizadores de nossa riquíssima língua portuguesa. Penso que os argumentos que podemos ler sobre esse assunto (e nos deliciar com eles) no sítio indicado pela Profa. Maria João no comentário dado por ela anteriormente, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, não são conclusivos por ambas as partes, mas apontam, sim, para que as pessoas assumam uma posição desmobilizada, de aceitação das duas formas: “a distância” e “à distância”.

    Decerto é que, em determinadas situações específicas de uso da expressão, os argumentos a favor de um ou de outro uso são mais fortes (evitar a ambiguidade, enfatizar o termo “distância”, uso de “regras” práticas etc.), o que acaba levando um defensor de um uso específico a aceitar, mesmo que a contragosto, a utilização da outra forma.

    Por outro lado, vale notar que algumas intervenções existentes no sítio Ciberdúvidas não são de todo confiáveis e devem ser tomadas com muito cuidado como, por exemplo, no seguinte trecho do comentário de Carla Viana :: 28/10/2005 no qual ela afirma: “[…] «Eu ensino a distância.», o substantivo distância é obje(c)to de ensino, obje(c)to dire(c)to do verbo ensinar. […]” Tal afirmação está incorrecta. Na frase citada, o verbo “ensinar” é intransitivo e a locução “a distância” é adjunto adverbial de modo, não objecto directo do verbo pois a distância não está a ser ensinada por ninguém. Com essa ressalva quanto à legitimidade daquilo que podemos encontrar até no consagrado Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, podemos prosseguir com o debate sadio sobre esse assunto e que todos saiamos vencedores dele!

  3. Maria João Gomes wrote on 04. May 2007

    A intervenção do Kelson é preciosa… e achei “deliciosamente” verdadeira a questão de muitas vezes se assumir (eu faço-o…) a “posição desmobilizada, de aceitação das duas formas: “a distância” e “à distância”, embora adopte pessoalmente a designação “a distância”.

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